Banco Negou Reembolso do Pix? Como Processar e Ganhar Indenização em 2025
- João Coelho

- 4 de dez.
- 10 min de leitura

Em outubro de 2025, o STJ reafirmou: bancos que validam operações suspeitas e atípicas ao perfil do cliente prestam serviço defeituoso e devem indenizar. Você sabe como usar essa decisão a seu favor?
Você fez tudo certo. Percebeu o golpe, correu para a delegacia, registrou o Boletim de Ocorrência, acionou o MED (Mecanismo Especial de Devolução) e esperou os 11 dias angustiantes.
E então, chegou a resposta do banco:
"Analisamos sua contestação e não identificamos irregularidades. A transação foi realizada mediante uso de senha pessoal e intransferível. O pedido foi indeferido."
Nesse momento, 90% das vítimas desistem. Elas acreditam que a palavra do banco é lei.
Mas aqui está o segredo que os bancos não querem que você saiba: a negativa administrativa é padrão. Na Justiça, a conversa é completamente diferente.
Como advogado especialista em fraudes bancárias há mais de 12 anos, afirmo com base em centenas de casos: o "Não" do banco não é o fim da linha. É apenas o começo do processo judicial onde, em 2025, os tribunais têm condenado as instituições financeiras a devolverem cada centavo, e ainda pagar indenização por danos morais.
O que é Responsabilidade Objetiva dos Bancos? É a obrigação legal das instituições financeiras de indenizar clientes por fraudes, independentemente de culpa. Segundo a Súmula 479 do STJ, fraudes bancárias são consideradas "fortuito interno" (risco do próprio negócio). Isso significa que o banco não pode se eximir dizendo "foi culpa do golpista" ou "você forneceu a senha". Se houve falha na segurança do sistema, o banco paga.
O Grande Mito: "A Culpa é da Vítima"
O principal argumento dos bancos é sempre o mesmo: "Você entregou a senha", "Você fez o Pix", ou "Você caiu na engenharia social". Eles tentam convencer você de que, por ter sido enganado, a responsabilidade é 100% sua.
Isso é mentira jurídica.
O Código de Defesa do Consumidor e o Superior Tribunal de Justiça entendem que o banco assume o risco do negócio. A lógica é simples: se o banco lucra bilhões oferecendo um sistema de pagamento instantâneo, ele deve garantir que esse sistema seja seguro.
Se o sistema permite que uma aposentada transfira 50% de suas economias de vida para uma conta "laranja" recém-aberta, às 11 da noite, sem disparar um único bloqueio de segurança... o sistema falhou, não a vítima.
Em decisão de outubro de 2025 (REsp 2.222.059), o STJ foi categórico:
"A validação de operações suspeitas, atípicas e alheias ao perfil de consumo do correntista deixa à mostra a existência de defeito na prestação do serviço, a ensejar a responsabilização das instituições financeiras."
A Súmula 479 do STJ: Sua Arma Jurídica
Existe uma regra de ouro na justiça brasileira chamada Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça. Ela estabelece:
Súmula 479 - STJ "As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias."
O que isso significa na prática?
Significa que fraude bancária é considerada "Fortuito Interno", ou seja, um risco inerente ao próprio negócio bancário. O banco não pode dizer "foi um golpista, não tenho culpa". A lei diz: se você guarda o dinheiro das pessoas e oferece um sistema de transferência instantânea, a segurança contra fraudes é problema seu.
A responsabilidade é objetiva. Isso significa que você não precisa provar que o banco agiu com má-fé ou negligência. Basta provar que houve a fraude e que o sistema de segurança do banco falhou em detectá-la.
As 4 Teses que Condenam os Bancos em 2025
Para ganhar um processo de Golpe do Pix, não basta dizer "fui roubado". Você precisa demonstrar que o banco falhou na segurança. As teses que mais funcionam nos tribunais hoje são:
1. Falha na Detecção de Perfil Atípico
Se você costuma fazer Pix de R$ 50 na padaria e R$ 200 no supermercado, e de repente aparecem três transferências de R$ 5.000 em 10 minutos para uma conta desconhecida, o banco tinha obrigação de bloquear ou ao menos questionar.
A tecnologia antifraude existe exatamente para isso. Se ela não funcionou, o serviço foi defeituoso nos termos do Art. 14 do Código de Defesa do Consumidor.
Caso Real: Veja como o Nubank foi condenado por não bloquear transações fora do perfil de uma cliente vítima de clonagem de WhatsApp.
2. Conta "Laranja" no Banco Recebedor (Falha no KYC)
O golpista precisa de uma conta para receber o dinheiro. Muitas vezes, essa conta foi aberta com documentos falsos, dados de terceiros, ou é usada exclusivamente para receber fraudes sem nenhuma movimentação legítima.
Ao permitir que um criminoso abra e opere uma conta dentro da instituição, o banco falhou no dever de fiscalização conhecido como "Know Your Customer" (KYC).
Importante: Em janeiro de 2025, o STJ definiu que bancos digitais podem ser responsabilizados se não demonstrarem que cumpriram as diligências de abertura de conta. Se a conta foi aberta sem verificação adequada de identidade, o banco recebedor também responde.
3. Falha ou Lentidão no MED (Teoria da Perda de uma Chance)
Se você avisou o banco em 15 minutos após o golpe, mas o banco demorou 3 horas para comunicar o bloqueio ao banco recebedor, ele permitiu que o golpista sacasse o dinheiro.
Isso configura a "Teoria da Perda de uma Chance". Você tinha chance real de recuperar o valor, e a lentidão ou omissão do banco tirou essa possibilidade de você.
4. Ausência de Alertas de Segurança
Os bancos são obrigados a implementar mecanismos de alerta para transações suspeitas: notificações push, confirmação por ligação, bloqueio temporário para análise.
Se nenhum desses mecanismos foi acionado em uma transferência claramente atípica, há falha na prestação do serviço.
Quando Vale a Pena Processar?
Nem todo caso deve ir para a Justiça. Para o processo ser viável e valer o investimento de tempo e dinheiro, recomendo a seguinte análise:
✅ VALE A PENA processar quando:
Prejuízo acima de R$ 3.000: Abaixo disso, os custos e o tempo podem não compensar, exceto no Juizado Especial
Você tem o B.O. e a negativa do MED por escrito: São provas obrigatórias de que você tentou resolver administrativamente
Houve falha de segurança evidente: Transação fora do perfil, horário atípico (madrugada), múltiplas transferências em sequência, conta recebedora suspeita
Você agiu rápido: Comunicou o banco em até 24 horas após perceber o golpe
O valor justifica os honorários: Em geral, processos com valores acima de R$ 5.000 têm melhor relação custo-benefício
❌ NÃO VALE A PENA processar quando:
Você demorou dias ou semanas para comunicar o banco: Isso enfraquece muito o argumento de falha do banco
Não há nenhuma prova documental: Sem B.O., sem prints, sem protocolos
A transação era compatível com seu perfil: Se você costuma fazer Pix de valores altos, fica mais difícil alegar "transação atípica"
Houve negligência grave da sua parte: Senha anotada no celular, compartilhamento de token com terceiros, acesso a links claramente suspeitos
O valor é muito baixo: Processos por R$ 500 ou R$ 1.000 raramente compensam, mesmo no Juizado Especial
⚠️ CASOS QUE EXIGEM ANÁLISE INDIVIDUAL:
Idosos ou pessoas com vulnerabilidade comprovada (a jurisprudência é mais favorável)
Golpes sofisticados com uso de dados internos do banco
Múltiplas vítimas do mesmo golpista (possibilidade de ação coletiva)
⚠️ IMPORTANTE: TENTE A VIA ADMINISTRATIVA PRIMEIRO Antes de processar, esgote as vias administrativas: MED, reclamação no Consumidor.gov.br, reclamação no Banco Central. Além de ser mais rápido e barato, isso gera documentação que fortalece um eventual processo judicial. O JC Recupera ensina esse caminho completo.
Os Documentos Obrigatórios para Vencer
Sem provas, não há vitória. Antes de procurar um advogado, organize:
Documentos essenciais:
Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado o mais próximo possível da data do golpe
Comprovantes de todas as transferências Pix fraudulentas
Extrato bancário dos últimos 3 a 6 meses (para comprovar seu perfil de consumo habitual)
Protocolos de todos os atendimentos (MED, SAC, Ouvidoria)
Print ou documento da negativa formal do banco
Prints de conversas com o golpista (WhatsApp, SMS, e-mail)
Consulta ao Registrato mostrando a conta recebedora
Documentos que fortalecem:
Reclamação no Consumidor.gov.br e resposta do banco
Reclamação no Banco Central
Laudos médicos (se houve impacto na saúde mental)
Comprovantes de despesas extras decorrentes do golpe
O Passo a Passo do Processo Judicial
Fase 1: Consulta com Advogado Especialista
O advogado vai analisar se seu caso tem viabilidade jurídica, quais teses se aplicam, e qual o valor estimado da causa.
Importante: Nosso escritório realiza uma análise de risco rigorosa antes de aceitar qualquer caso. Só entramos com ações que tenham real chance de sucesso. Isso protege você de custos desnecessários e nos permite focar nos casos com maior potencial de vitória.
Dica: Procure advogados especializados em Direito Bancário ou Direito do Consumidor. Evite advogados generalistas para esse tipo de ação.
Fase 2: Petição Inicial
O advogado não vai apenas pedir o dinheiro de volta. Uma petição bem fundamentada inclui:
Danos Materiais: Devolução integral do valor roubado, com juros de 1% ao mês e correção monetária desde a data do golpe.
Danos Morais: Indenização pelo sofrimento, angústia, tempo perdido (desvio produtivo) e abalo psicológico. Em 2025, as condenações variam de R$ 2.000 a R$ 10.000 na maioria dos casos, podendo chegar a R$ 15.000 ou mais em situações de maior gravidade (idosos, valores muito altos, descaso do banco).
Inversão do Ônus da Prova: O juiz pode determinar que o banco prove que seu sistema não falhou, o que é extremamente difícil para eles.
Fase 3: Contestação do Banco
O banco vai apresentar defesa alegando que:
A transação foi feita com senha pessoal
Não houve falha no sistema
A culpa é exclusiva da vítima ou de terceiro
Seu advogado vai rebater cada argumento com base na jurisprudência e nas provas coletadas.
Fase 4: Sentença
O processo costuma levar de 6 a 18 meses dependendo da vara e da complexidade.
Importante: Em muitos casos, o banco propõe acordo antes da sentença para evitar criar jurisprudência desfavorável. Acordos costumam girar em torno de 70% a 100% do valor pedido.
Valores de Indenização em 2025: O Que Esperar
Com base em decisões recentes dos tribunais brasileiros:
SituaçãoDanos MateriaisDanos MoraisTotal AproximadoGolpe simples (R$ 2-5 mil)Valor integral + jurosR$ 2.000 a R$ 3.000R$ 4.000 a R$ 8.000Golpe médio (R$ 5-20 mil)Valor integral + jurosR$ 3.000 a R$ 7.000R$ 8.000 a R$ 27.000Golpe grave (acima de R$ 20 mil)Valor integral + jurosR$ 5.000 a R$ 15.000R$ 25.000 a R$ 70.000+Vítima idosa/vulnerávelValor integral + jurosR$ 5.000 a R$ 15.000Majoração de 20-50%Fonte: Jurisprudência dos TJs e STJ em 2024-2025.
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Casos Reais: Eles Processaram e Ganharam
Não é teoria. São resultados concretos.
Aposentada recupera R$ 52 mil + danos morais
O TJSP condenou Santander e Bradesco solidariamente a devolverem o valor integral mais indenização por danos morais. O fundamento: as transferências fugiam completamente do padrão habitual da cliente, e nenhum alerta de segurança foi disparado.
Banco Mercantil condenado por empréstimo + Pix simultâneos
A Justiça entendeu que o banco falhou gravemente ao permitir a contratação de empréstimo e transferências Pix simultâneas para uma idosa, sem qualquer verificação adicional.
Banco do Brasil condenado em R$ 37.734 + R$ 2.000 de danos morais
Em janeiro de 2025, o TJPB manteve condenação contra o BB por falha no sistema de segurança que permitiu transferências Pix fraudulentas. O desembargador destacou que "o dever de segurança na prestação do serviço bancário inclui a adoção de medidas eficazes para prevenir fraudes".
Cliente de Cuiabá recupera R$ 717 + R$ 3.000 de danos morais
Mesmo em valores menores, a Justiça tem condenado. A juíza destacou que "o banco não colaborou para fornecer informações seguras sobre a autoria do golpe", configurando serviço defeituoso.
Perguntas Frequentes sobre Processar o Banco
O banco negou o MED. Isso significa que perdi o direito de processar?
Não. A negativa do MED é administrativa. O processo judicial segue regras diferentes, com base no Código de Defesa do Consumidor e na Súmula 479 do STJ. Muitas pessoas que tiveram o MED negado ganham na Justiça.
Quanto tempo demora um processo contra banco?
Em média, de 6 a 18 meses. No Juizado Especial (causas até 40 salários mínimos), tende a ser mais rápido. Na Justiça comum, pode levar mais tempo, mas os valores de indenização costumam ser maiores.
Preciso de advogado para processar?
Para causas até 20 salários mínimos no Juizado Especial, não é obrigatório. Porém, a presença de advogado especializado aumenta significativamente as chances de sucesso e os valores de condenação.
O banco pode me processar de volta?
Não há fundamento para isso. Você está exercendo um direito legítimo de consumidor. O banco não pode retaliá-lo por buscar a Justiça.
Se eu perder o processo, pago algo?
No Juizado Especial, em primeira instância, não há custas nem honorários em caso de derrota. Na Justiça comum, pode haver condenação em custas e honorários (em torno de 10% do valor da causa), mas isso é raro quando há fundamento razoável para a ação. Por isso, nosso escritório faz análise de viabilidade prévia: só aceitamos casos com alta probabilidade de sucesso, minimizando qualquer risco de prejuízo adicional para você.
Posso processar o banco recebedor (onde estava a conta do golpista)?
Sim, em alguns casos. Se ficar demonstrado que o banco recebedor falhou na abertura ou monitoramento da conta "laranja", ele pode ser responsabilizado solidariamente.
Vale a pena processar por valores baixos (R$ 500, R$ 1.000)?
Depende. No Juizado Especial, sem custas, pode valer pelo princípio. Mas o tempo e energia investidos podem não compensar. Avalie caso a caso.
O que é "desvio produtivo" nos danos morais?
É o reconhecimento de que você perdeu tempo útil da sua vida tentando resolver um problema que o banco deveria ter evitado. Esse tempo tem valor e pode ser indenizado.
Quanto custa contratar um advogado?
Os honorários variam, mas muitos advogados especializados trabalham com percentual de êxito (só cobram se você ganhar). Valores típicos: 20% a 30% do valor recuperado.
O processo é sigiloso?
Processos contra bancos por fraude geralmente não são sigilosos, mas seus dados pessoais sensíveis ficam protegidos.
O Que Fazer Agora?
Se você ainda não tentou a via administrativa:
O primeiro passo é esgotar as possibilidades sem precisar de processo. O método JC Recupera ensina o passo a passo completo para acionar o MED corretamente, reclamar nos órgãos competentes e aumentar suas chances de recuperação administrativa.
Se você já tentou e o banco negou:
É hora de avaliar a via judicial. Não entregue seu dinheiro de bandeja para golpistas e bancos negligentes. A lei está do seu lado, e os tribunais estão cada vez mais severos com as falhas de segurança do Pix.
👉 QUER SABER SE SEU CASO TEM CHANCE DE VITÓRIA? Se você já tem o B.O. e a negativa do MED em mãos, nossa equipe pode fazer uma análise gratuita do seu caso em até 24 horas. 📲 FALE COM NOSSA EQUIPE DE TRIAGEM NO WHATSAPP (Substitua pelo número real do WhatsApp comercial) Ou se preferir, acompanhe nosso trabalho no Instagram: @ojoaocoelho.adv
Conclusão: Não Deixe o Banco Lucrar com Seu Prejuízo
O banco conta com a sua desistência. Eles sabem que o processo judicial dá trabalho e apostam que você vai aceitar o prejuízo calado.
Não aceite.
Se o banco falhou na segurança, ele deve pagar. A Súmula 479 do STJ existe exatamente para isso. A jurisprudência está consolidada. Os tribunais estão condenando.
O "não" do banco é apenas o primeiro capítulo. O final da história quem escreve é você.
Sobre o autor: João Vitor Chaves Coelho (OAB/SP 366.776) é advogado especialista em Direito Bancário e defesa do consumidor, com mais de 12 anos de experiência em casos de fraudes financeiras. Criador do método JC Recupera e do podcast PodDívida. Acompanhe no @ojoaocoelho.adv.
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Artigo publicado em dezembro de 2025 | Última atualização: 04/12/2025





















