Santander e Bradesco Condenados: Aposentada Recupera R$ 52 Mil Após Golpe do Pix com "Celular Fantasma" [2026]
- 1 de dez. de 2025
- 8 min de leitura
Atualizado: 28 de fev.

Tempo de leitura: 12 min | Última revisão: Fevereiro/2026 | Por: João Coelho, OAB/SP 366.776 | OAB/PA 19.692 | OAB/DF 72.931
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Sobre o Autor
João Coelho é advogado especialista em Direito Bancário e defesa de vítimas de golpes digitais, com mais de 12 anos de experiência. Criador do Método JC Recupera (Golpe do Pix), atua em São Paulo e atende 100% online para todo o Brasil. Contato: WhatsApp (11) 91048-2244.
Dois bancos condenados solidariamente. Dois empréstimos consignados fraudulentos. R$ 52.255,01 em danos materiais, mais indenização por danos morais. Tudo porque nenhum dos bancos conseguiu explicar como operações foram realizadas por um celular que a vítima nunca teve, em uma cidade que ela nunca visitou.
O caso da aposentada I.A.O. é um dos mais completos exemplos de como a Justiça brasileira aplica a Súmula 479 do STJ na prática. E mostra por que a defesa dos bancos, que tenta responsabilizar a vítima, não se sustenta.
Em 2026, os tribunais têm consolidado o entendimento de que aposentados e idosos merecem proteção reforçada em golpes digitais. Quando a fraude atinge verba alimentar, o dano moral é presumido.
Índice
💡 Linguagem Simples
Pergunta | Resposta |
O que aconteceu? | Golpistas fizeram empréstimos e transferências usando celular fantasma no nome de aposentada |
Quais bancos? | Santander (empréstimos fraudulentos) e Bradesco (boleto sem validação) |
Quanto a vítima recuperou? | R$ 52.255,01 em danos materiais + danos morais |
Como o banco foi pego? | Geolocalização em Niterói/RJ, vítima mora em São José dos Campos/SP |
Qual a base legal? | Súmula 479 STJ (responsabilidade objetiva) + Resolução Bacen 4.658/2018 |
O que isso significa para mim? | Se você foi vítima de golpe semelhante, pode ter direito a indenização |
1. Resumo do Caso {#resumo}
Dado | Detalhe |
Processo | 1024830-91.2024.8.26.0577 (TJSP) |
Tribunal | Tribunal de Justiça de São Paulo |
Vítima | I.A.O., aposentada, São José dos Campos/SP |
Bancos réus | Santander (empréstimos) + Bradesco (boleto) |
Tipo de golpe | Celular fantasma: empréstimos + TEDs + boleto fraudulentos |
Danos materiais | R$ 52.255,01 |
Danos morais | Concedidos (valor a confirmar na sentença definitiva) |
Condenação | Solidária: ambos os bancos respondem juntos |
Teses principais | Súmula 479 STJ, geolocalização incompatível, dano moral presumido |
Status | Decisão favorável à vítima |
2. O Que É o Golpe do "Celular Fantasma" {#celular-fantasma}
O golpe do celular fantasma é uma das fraudes mais sofisticadas em operações bancárias digitais. Funciona assim: criminosos acessam a conta da vítima usando um aparelho que ela nunca possuiu, em uma localização que ela nunca esteve.
Etapa | O Que o Golpista Faz |
1 | Obtém dados da vítima por vazamento ou engenharia social |
2 | Cadastra dispositivo novo (celular fantasma) na conta bancária |
3 | Realiza operações a partir desse dispositivo, de outra cidade |
4 | Contrata empréstimos, faz TEDs e paga boletos em minutos |
O nome "celular fantasma" vem do fato de que o dispositivo usado pelo golpista simplesmente não existe no histórico da vítima. Não é o celular dela, não está registrado no CPF dela, e a geolocalização aponta para uma cidade diferente.
Neste caso, o sistema bancário registrou alternância entre iPhone e Motorola em intervalos de segundos. Algo fisicamente impossível para um ser humano.
3. Os Fatos: Como o Golpe Aconteceu {#fatos}
Cronologia da Fraude
Evento | Detalhe |
Dispositivo usado | Celular com DDD 21 (Rio de Janeiro) |
Local da vítima | São José dos Campos/SP |
Geolocalização das operações | Niterói/RJ |
Empréstimo 1 | Contrato nº 289914829, TED de R$ 26.286,67 |
Empréstimo 2 | Contrato nº 289979238, TED de R$ 25.968,34 |
Boleto pago pelo Bradesco | R$ 20.574,96, sem autenticação reforçada |
Comportamento anômalo | Troca iPhone/Motorola em segundos |
Descontos em folha cessaram | Dezembro/2024 e fevereiro/2025 |
O Impacto na Vida da Aposentada
I.A.O. é aposentada e dependia do benefício do INSS para sobreviver. Os empréstimos consignados fraudulentos geraram descontos automáticos em sua folha de pagamento.
Isso significa que, mesmo após comunicar a fraude, o dinheiro continuou sendo retirado do benefício dela durante meses. Os descontos só pararam entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025.
A aposentada depositou espontaneamente R$ 31.596,67 em juízo para demonstrar boa-fé. Essa atitude foi destacada na decisão judicial como prova de honestidade.
4. A Defesa dos Bancos (E Por Que Fracassou) {#defesa-bancos}
O Que os Bancos Disseram
Argumento do Banco | Realidade |
"As operações foram regulares" | Feitas por celular fantasma em cidade diferente |
"A cliente foi negligente com seus dados" | Nenhuma prova de que ela compartilhou dados |
"A responsabilidade é exclusiva da vítima" | Súmula 479 STJ: banco responde objetivamente |
O Que os Bancos NÃO Conseguiram Provar
Prova Necessária | Apresentada? |
Que o dispositivo pertencia à vítima | ❌ Não |
Que a geolocalização era confiável | ❌ Não |
Registros de IP das operações | ❌ Não |
IMEI ou MAC Address do dispositivo | ❌ Não |
Gravações ou logs de auditoria | ❌ Não |
Trilha completa de autenticação | ❌ Não |
Falha Específica do Bradesco
O Bradesco aprovou o pagamento de um boleto de R$ 20.574,96 da conta da aposentada sem autenticação reforçada, sem alerta de risco e sem dupla validação.
Isso descumpriu as Resoluções Bacen 4.658/2018 e CMN 4.753/2019, que exigem mecanismos de segurança reforçados para transações de alto valor em perfis de baixo consumo.
5. Análise Jurídica: 4 Teses Que Garantiram a Condenação {#teses}
Tese 1: Celular fantasma destrói a tese de regularidade
Como explicar contratações feitas por um dispositivo que a vítima nunca possuiu, em uma cidade que ela nunca visitou? A troca de iPhone para Motorola em intervalos de segundos é fisicamente impossível.
Tese 2: Geolocalização era prova, mas virou condenação
Os próprios registros dos bancos mostravam operações em Niterói/RJ enquanto os documentos da vítima apontavam São José dos Campos/SP. A contradição nos dados do banco se tornou a principal prova contra ele.
Tese 3: Transações atípicas exigem bloqueio, não aprovação
TEDs de mais de R$ 26 mil e boleto de R$ 20 mil em conta de aposentada configuram operações completamente fora do perfil. A Súmula 479 do STJ determina que instituições financeiras respondem objetivamente por fraudes em operações bancárias.
O dever de segurança exige que bancos bloqueiem movimentações que destoam do perfil do cliente. Aprovar sem verificação é falha na prestação do serviço.
Tese 4: Verba alimentar tem proteção especial
Quando o golpe atinge benefício previdenciário, a jurisprudência reconhece dano moral presumido (in re ipsa). A vítima não precisa provar sofrimento. Basta comprovar a indisponibilidade dos valores alimentares.
Tese | Fundamento | Aplicação no Caso |
Responsabilidade objetiva | Súmula 479 STJ | Banco responde independente de culpa |
Celular fantasma | CDC Art. 14 (defeito do serviço) | Dispositivo nunca pertenceu à vítima |
Violação regulatória | Res. Bacen 4.658/2018, CMN 4.753/2019 | Bradesco não fez validação reforçada |
Dano moral presumido | Jurisprudência STJ (verba alimentar) | Aposentada teve benefício comprometido |
💡 Insight do Especialista: "Este caso ilustra uma tendência importante nos tribunais: quando dois bancos participam de etapas diferentes da fraude, ambos respondem solidariamente. O Santander permitiu os empréstimos fraudulentos e o Bradesco aprovou um boleto de alto valor sem validação. A condenação solidária significa que a vítima pode cobrar o valor total de qualquer um deles.", João Coelho, OAB/SP 366.776
6. Os Valores da Condenação {#valores}
Categoria | Valor |
Empréstimo fraudulento 1 (TED) | R$ 26.286,67 |
Empréstimo fraudulento 2 (TED) | R$ 25.968,34 |
Total danos materiais | R$ 52.255,01 |
Danos morais | Concedidos (verba alimentar, dano presumido) |
Tipo de condenação | Solidária (Santander + Bradesco) |
Comparativo: Golpes Pix em Contas de Aposentados
Caso | Banco | Valor Recuperado | Dano Moral |
I.A.O. (este caso) | Santander + Bradesco | R$ 52.255,01 | Sim |
Aposentada Nubank (TJGO) | Nubank | R$ 37.300 | R$ 5.000 |
Aposentada Mercantil (TJSP) | Mercantil | Devolução integral | R$ 10.000 |
Aposentada falsa central (TJSP) | Instituição financeira | R$ 58.900 | R$ 15.000 |
7. O Que a Vítima Fez de Certo {#licoes}
Lição 1: Documentou tudo desde o primeiro dia
I.A.O. reuniu extratos, comprovantes e registros de comunicação com os bancos. Essa organização é fundamental para construir a prova.
Lição 2: Depositou valor em juízo como demonstração de boa-fé
Ela depositou espontaneamente R$ 31.596,67 em juízo. Isso mostrou ao magistrado que ela não pretendia se apropriar de valores e que agia com transparência total.
Lição 3: Contestou as movimentações junto aos bancos
Mesmo quando os bancos negaram responsabilidade, ela insistiu na contestação formal e partiu para a ação judicial. A taxa de recuperação via MED é de apenas 7-8%, segundo dados do Banco Central. A via judicial é o caminho mais eficaz.
Lição 4: Buscou advogado especializado
A complexidade do caso, que envolvia dois bancos, dois empréstimos e um boleto, exigia estratégia jurídica coordenada. A condenação solidária só foi possível porque a ação foi bem fundamentada.
8. Como Saber Se Você Tem um Caso Semelhante {#seu-caso}
Sinais de Golpe por Celular Fantasma
Sinal | Verificação |
Empréstimo que você não contratou | Consulte o SCR no Registrato |
Transferência para pessoa desconhecida | Verifique extrato detalhado no app |
Operação em horário que você estava dormindo | Compare com seu histórico de uso |
Geolocalização diferente da sua cidade | Peça ao banco os logs de acesso |
Dispositivo desconhecido no histórico da conta | Solicite relatório de dispositivos cadastrados |
O Que Fazer Agora
Perguntas Frequentes {#faq}
O que é condenação solidária?
Significa que ambos os bancos respondem juntos pela totalidade do valor. A vítima pode cobrar de qualquer um deles, ou de ambos, o total da condenação. Não precisa dividir a cobrança.
Preciso provar que não fui negligente?
Não. A Súmula 479 do STJ estabelece responsabilidade objetiva. É o banco que precisa provar que a operação foi legítima. Neste caso, nenhum dos bancos conseguiu.
Aposentado tem proteção especial?
Sim. Quando o golpe atinge benefício previdenciário (verba alimentar), os tribunais reconhecem dano moral presumido. Isso significa que o simples fato de ter o benefício comprometido já gera direito a indenização, sem necessidade de provar sofrimento adicional.
O MED funciona nesses casos?
O MED é o primeiro passo e deve ser acionado imediatamente. Mas a taxa de recuperação via MED é de apenas 7-8%. Para golpes acima de R$ 5.000, a ação judicial é o caminho mais eficaz para recuperação integral mais danos morais.
Posso processar dois bancos ao mesmo tempo?
Sim. Quando dois bancos participam de etapas diferentes da mesma fraude (um permite o empréstimo, outro aprova o boleto), ambos podem ser processados na mesma ação e condenados solidariamente.
Quanto tempo demora o processo?
Em média, de 6 a 18 meses para sentença em primeira instância. Tutelas de urgência (liminares) para cessar descontos em folha podem sair em 7 a 30 dias.
Qual o prazo para processar?
O prazo prescricional é de 5 anos a partir da data do golpe. Mas quanto antes agir, melhores as chances de recuperação e mais fácil a produção de provas.
O banco pode alegar que eu dei minha senha?
Pode alegar, mas precisa provar. Neste caso, os bancos tentaram essa defesa e fracassaram. A existência do celular fantasma com geolocalização incompatível destrói esse argumento.
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Golpe do Pix
Utilidades
Fontes e Base Legal
Processo 1024830-91.2024.8.26.0577, TJSP
Súmula 479 do STJ
CDC, Arts. 14 e 42
Resolução Bacen 4.658/2018 (segurança cibernética)
Resolução CMN 4.753/2019 (política de segurança)
Instituto DataSenado: 40,85 milhões de vítimas de golpes digitais (2024)
🚨 Foi Vítima de Golpe do Pix? Podemos Analisar Seu Caso
Se você é aposentado, pensionista ou servidor público e descobriu empréstimos que não fez, transferências que não autorizou ou descontos indevidos na folha, podemos avaliar se o seu caso se enquadra nas teses de condenação aplicadas neste processo.
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